2012 / MAPUTO (Moçambique) / 14, 15 e 16 de SETEMBRO

 

Realizou‐se em Maputo nos passados dias 14, 15 e 16 de Setembro o XLI Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, denominado Moçambique 2012, numa organização conjunta da Academia do Bacalhau de Maputo e Academia do Bacalhau da Beira. Este Congresso foi denominado de “Congresso do Rejuvenescimento”.

Reuniram‐se neste evento compadres e comadres de 20 Academias de 9 países diferentes, totalizando cerca de 200 participantes, dos quais cerca de 140 oriundos de fora de Moçambique.

O Congresso iniciou‐se na sexta‐feira, dia 14 de Setembro com um Cocktail de boas vindas oferecido na
Fortaleza de Maputo, com espectáculo de músicas e danças tradicionais moçambicanas, nomeadamente
timbilas e danças guerreiras protagonizadas pelos rapazes da Casa do Gaiato, obra que as Academias dos
Bacalhau apoiam desde 1991.

Seguiu‐se, no sábado de manhã, o Congresso e o habitual “passeio das Comadres”, tendo este último
começado no histórico Hotel Polana (inaugurado em 1922), tendo seguido o passeio das Comadres pelos
tradicionais bairros da Mafalala, onde presenciaram as danças macuas, tendo finalizado na centenária
estação dos caminhos de ferro, onde foi oferecido um almoço com festival de Marrabenta e desfiles de
capulanas que se prolongou pela tarde fora.

Enquanto o passeio decorria, o Congresso estava a ter lugar no Pestana Rovuma Hotel, onde o Presidente do Congresso, Compadre João Trincheiras, após 1 minuto de silêncio em memória de todos os Compadres e Comadres que nos deixaram, deu a palavra ao novo Cônsul‐Geral de Portugal em Maputo, Dr Gonçalo Teles Gomes, que simbolicamente abriu o Congresso. Após a intervenção do Presidente Honorário das Academias do Bacalhau, Compadre Durval Marques, todas as Academias presentes apresentaram as suas mensagens ao Congresso. Após estas intervenções, e seguindo‐se a Ordem de Trabalhos, passou‐se às considerações sobre a Acta do XL Congresso de 2011, realizado no Recife, tendo‐se proposto as seguintes correcções:

  • Ponto n.º 3 –     Está implícito na própria definição das Academias, que refere: “As Academias do Bacalhau são Tertúlias de Amigos, sem finalidades políticas, religiosas ou comerciais.” A repetição desta definição neste ponto, torna‐se portanto redundante.
  • Ponto n.º 7 –     Este assunto voltou a ser debatido neste XLI Congresso de Moçambique, tendo‐se‐lhe dado uma nova versão que se julga poder completar a que foi aprovada no Recife.
  • Ponto n.º 10 – Não mereceu aprovação que a escolha das datas dos Congressos passasse a ser decidida pelas Academias anfitriãs, tendo sido reiterado e aprovado neste XLI Congresso do Maputo, continuar com o processo da marcação dessas datas como sempre se fez, ou seja, a Academia encarregada da organização de cada Congresso propõe à Academia‐Mãe datas para a sua realização, a qual, depois de consultar todas as Academias, determina, em consenso com a Academia anfitriã, as datas finais do Congresso.

Quanto ao demais, e depois de consideradas as reservas acima referidas, a acta do XL Congresso do Recife foi aprovada por unanimidade.

Relativamente à Acta do XLI Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, realizado de 14 a 16 de
Setenbro de 2012 , foram tomadas as seguintes principais deliberações:

  • A Academia do Bacalhau de Braga, passou‐se a denominar de Academia do Bacalhau do Minho;
  • Recomendação de que as Academias do Bacalhau espalhadas pelo mundo promovam prémios aos melhores alunos de língua portuguesa, de forma a valorizar a mesma nos locais onde as Academias existam;
  • As datas dos Congressos Mundiais, a realizar anualmente, deverão ser propostos pela Academia anfitriã à Academia‐Mãe que, depois de consultar as outras Academias, acertará com a Academia organizadora do Congresso as datas finais, que deverão coincidir com um fim de semana entre o último da semana de Setembro e o primeiro da semana de Novembro
  • Criação de normas dos Congressos mundiais que se realizam anualmente, de forma a serem uniformes e incluírem as várias decisões deliberadas em Congressos anteriores (ex: no almoço do Congresso deve ser servido um prato de bacalhau). Estas propostas de normas serão apresentadas pela Academia do Bacalhau de Luanda, que se voluntariou para o efeito.
  • As propostas para nomeação de Presidentes Honorários ou Compadres Honorários de quaisquer Academias, depois de serem devidamente votadas em Assembleia Geral da correspondente Academia, deverão ser submetidas a Congresso, com um dossier próprio por cada candidatura, de forma a que sejam ratificadas em Congresso Mundial;
  • Divulgação pela Academia Mãe do Museu das Academias do Bacalhau, actualmente no Lar Santa Isabel, em Joanesburgo, bem como a sua forma de funcionamento e maneira de contribuir para a valorização do mesmo;
  • Divulgação pela Academia Mãe, ainda durante o ano 2012, de todas as Academias que ainda não têm as suas quotas anuais em dia;
  • Criação de uma rede de comunicação mais eficaz entre as Academias, através do sitio da internet existente, inclusive o uso mais eficaz do endereço www.academiadobacalhau.org, que foi já “reservado” para ser complementar com o da Academia‐Mãe;
  • A Academia‐Mãe deverá concluir o levantamento das Academias que se mostrem inactivas ou que não cumpram com as normas, ao mesmo tempo que as Academias Madrinhas deverão também ajudar as mesmas na sua reactivação. Para as Academias nesta situação, deverá ser apresentado, no próximo Congresso, um relatório sobre as suas situações e do trabalho já realizado.
  • Não foi ratificada a proposta de realização do congresso em 2014 nas Américas, em virtude, de fisicamente a Academia de New Jersey não se encontrar representado por nenhum dos seus Compadres (embora tenha sido mandato um compadre da Academia do Baclahau de Pietermaritzburg). Ficou deliberado que a mesma Academia deverá estar presente no Congresso de Viseu, em 2013, para conclusão do processo;
  • A Academia do Bacalhau de Viseu propôs que o Congresso Mundial das Academias do Bacalhau de 2013 fosse realizado nas datas de 27, 28 e 29 de Setembro. As mesmas datas serão objecto de análise e consenso com a Academia Mãe, ainda durante o mês de Outubro.
  • Congresso de Moçambique, ficou denominado de “Congresso do Rejuvenescimento”

Após o Congresso realizou‐se o almoço dos congressistas, com um bom caldo verde, um prato de Bacalhau cozido com todos, bom vinho alentejano e muita animação e muitos gaviões de penacho.

O jantar de gala realizou‐se no mesmo dia no Girassol Indy Village, e contou com a presença de cerca de 300 pessoas, entre congressistas e convidados, que foram presenteados com um buffet variado e vinho do Douro.
Foram trocadas lembranças entre as Academias, tendo as Academias do Bacalhau de Maputo e Beira através dos seus Presidentes, Compadre João Trincheiras e Compadre Alberto Oliveria, respectivamente, oferecido uma réplica de um quadro pintado em 1969, pelo já falecido Compadre Mestre Malangatana, que retrata a última ceia. Após a troca de lembranças, o compadre Stewart Sukuma presenteou‐nos com um espectáculo musical, antecedido de um famoso imitador de vozes, Ring‐Ring que, desde Nelson Mandela a Malangatana, nos proporcionou momentos impares.

Domingo, para finalizar e despedida, foi realizada uma feira Gastronomia e Cultural Moçambicana, com
artesanato local feito na hora, convívio com as crianças da Casa do Gaiato e do Centro Cultural de Matalana, peças de teatro e danças, bem como um show de Marrabenta, que contou com a presença de Dilon Djinji, o Rei da Marrabenta, que mesmo com 85 anos de idade, subiu ao palco e mostrou como se canta e dança.

Um dos momentos altos da despedida e que, segundo muitos, constituiu o “verdadeiro Congresso”, foi
quando o Compadre Padre Zé Maria, da Casa do Gaiato subiu ao palco e, após um discurso comovente, fez saltar das mesas os Compadres das Academias, que espontaneamente e começando pelo Presidente da Academia de Paris, Compadre António Fernandes, contribuíram, na hora, com um total de 11.000 Euros, para além de outros leilões que também se realizaram no local.

Foram três dias sem sol em Maputo, mas com muito calor humano e muita amizade e solidariedade. Até
Viseu 2013.

Um gavião de penacho

João Trincheiras